E no castelo de Dom Quixote,também existiam salas inexploradas,algumas trancadas a tanto tempo que nem Quixote se lembrava do que estava preso lá dentro,e outras escondidas,justamente para ninguém achar,mas a intuição dela conseguia leva-lá até aquelas portas,aquilo tudo simplesmente a chamava pelo corredores de pedra,ela se sentia deslumbrada pelas portas gigantes,trabalhadas a mão com infinitos detalhes,e o peso,ela imaginava qual seria o peso da cada porta,eram imensas,reforçadas,e além de tudo,com mais trancas do que ela podia contar.
Chegou perto de uma delas,sem motivo aparente,apenas por chamar sua atenção,e colocou a mão,sentiu um calor,algo quase morno,a temperatura de dentro da sala,se chocava com o frio do corredor de pedras.
Ela decidiu ir adiante,queria saber o motivo da existência daquelas portas e daquelas trancas,andava e andava por aquele corredor que parecia não ter fim,e a cada porta se sentia maravilhada com tantos detalhes,tentou empurrar uma porta e nada,pensou consigo:
- Deus,como é pesada,tamanha beleza não deveria esconder nada,e sim se abrir facilmente!
Nesse ponto ela ouve Quixote dizer:
- Perdida aqui? Se precisar de ajuda com qualquer coisa me chame,posso te explicar o que quiser... - terminou a frase com um sorriso no rosto,e se apoiando na parede.
Alice se assustou,não esperava que ele estive ali,parado,olhando ela e disse:
- Você me assustou,a quanto tempo está me espiando?
- Acabei de chegar,não te vi no jardim,nem nos quartos,e sabia que você encontraria esse lugar mais cedo ou mais tarde. - respondeu ele sem muita alteração.
- E por que não me mostrou esse lugar antes? Por que nem ao menos disse que ele existia? O quer esconder de mim? Por que vou ser sincera,se estiver escondendo coisas de mim,vou embora Quixote e talvez nunca mais volte,só peço para que sempre seja sincero. - disse ela com euforia,medo e ansiedade.
- Não tenho nada a esconder de você,linda,claro que não contei todos os segredos,afinal existem alguns que nem eu mesmo me lembro,não me lembro de cada batalha que travei,mas sei que por aqui existem lembranças delas,talvez uma sala com troféus e vergonhas,lembranças de quem eu já fui um dia,que me fazem lembrar do por que eu mudei... - disse ele se aproximando dela.
- Por que tantas trancas,por que portas tão pesadas? - exclamou ela como se sentisse seu chão sumir.
- Você pediu para que elas se abrissem? - respondeu ele pegando na mão dela.
- Não,eu não queria entrar ali sem você,eu acho... - respondeu ela cabisbaixa.
- Então peça,por que no meu mundo todas as suas vontades serão atendidas.
- Porta,se abra! - gritou ela,com um misto de alívio e medo do que estaria por vir.
A porta de madeira começou a ranger,e as trancas uma a uma se abriram,como mágica os cadeados caíam diante de seus olhos e aos poucos a porta se abria deixando passar o calor da sala para o corredor frio,e a luz intensa tomava conta de seus olhos.
Quixote que nesse momento guiava sua amada para dentro da sala perguntou:
- Quer ajuda ou prefere explorar tudo isso sozinha?
- Fique,por favor Quixote,não sei se gosto da idéia de ver tudo sozinha,mas me responda uma coisa antes,por que portas tão bem trabalhadas? Não poderiam ser portas normais? Por que tão bem esculpidas,para guardarem apenas lembranças das quais nem tem mais tanta certeza se valeram a pena? - perguntou ela confusa.
- Para ajudar a esquecer cada fato ocorrido,cada facada que levei,cada soco ou chute eu transformei em entalhos na madeira,foram horas,alguns até mesmo dias,mas essa era a minha terapia. - respondeu ele,longe de pensamento,como se todas as lembranças voltassem naquele momento.
- Já percebeu que sempre quando chove,e eu estou sozinha aqui,fico triste? - disse ela.
- Já,mas não sei se é bem assim,na verdade,eu percebi que sempre que você fica triste e está sozinha,chove...e quanto mais triste,pior a chuva...mas isso não vem ao caso,é só uma teoria maluca minha. - respondeu ele,com um certo ar de brincadeira no final.
- Como assim? Não entendi essa,me explica isso direito.
- Seu mundo é encantado certo? Ele sempre reflete exatamente os seus sentimentos,nas cores,nas formas,no clima,tudo isso é um reflexo dos seus sentimentos. - respondeu ele.
Ela pensativa,abaixa a cabeça e fita os próprios pés por alguns instantes,se perde em pensamentos e se vê pensando em quanto é maluca aquela explicação de Quixote.
- Você não tem jeito mesmo,sempre fantasiando coisas,e arrumando as explicações mais malucas possíveis,só você Quixote para me falar uma dessa,é coincidência oras,estamos em janeiro,janeiro sempre chove!
- Somos reflexos de nossos mundos Alice,gostando ou não,mas deixe isso pra lá,e aliás mocinha,quem vive no país das maravilhas é você,não eu,meu mundo não deveria ser mágico,ou encantado,em hipótese,sou apenas louco...um louco sonhador,que isso fique claro. - disse ele sorrindo,com um certo charme de conquistador.
Ela olhou para ele como se quisesse fletar,mas se segurou,e disse timidamente:
- Você deveria sorrir mais vezes quando estamos juntos,me passa confiança.
"Confiança" pensou ele,"confiança",e ficou pensando nisso um bom tempo,até que ela,sem aviso,o beija no rosto e diz:
- Pensando em que senhor cavaleiro andante?
- Eu acho que você está flertando comigo mocinha. - disse ele fugindo do assunto.
- Você está vendo mais alguém aqui? Claro que é com você. - respondeu ela com um belo sorriso.
- Você também deveria sorrir mais vezes,seu sorriso me passa uma sensação de paz e serenidade,impossível não se apaixonar. - respondeu ele.
- Então façamos um trato! - disse ela - nós passamos a sorrir mais,e nos magoar menos,assim,todo mundo sai ganhando,eu,você e o mundo.
- Sim,com seu sorriso,o mundo sempre sai ganhando...
- Meu sorriso e seus olhos,eles sempre fizeram uma ótima combinação!
- Afinal,seu sorriso e meus olhos já seriam uma bela desculpa pra essa relação.
Ele se levantou com o sol,sempre ansioso,não conseguia dormir muito mais do que 5 ou 6 horas diárias,foi até a cozinha e preparou o café da manhã,fez com todo seu zelo e carinho,tinha que estar perfeito.
Terminado o café,com pão quentinho,recém saído do forno,ele saiu e colheu flores para enfeitar a mesa e subiu tomar banho,saiu do banho e se colocou de joelhos para rezar.
Com todo o barulho e movimentação ela acordou,abriu a porta ainda meio sonolenta e desceu as escadas,procurou por ele e não o encontrou,mas viu a mesa do café pronta e enfeitada,reparou que ele ainda não tinha se servido e achou melhor procura-lo,afinal ele havia se esforçado para surpreende-la.
Subiu as escadas e reparou na porta do quarto dele entre-aberta e espiou,ele estava ajoelhado,ao lado de sua cama,mãos juntas,e sem camisa,sem querer ela se apoiou na porta e a mesma rangiu,ele subtamente olha para trás e a vê,esboça um simpático sorriso e diz:
- Olha só quem apareceu,tenho uma surpresa para você Linda!
Ela,pega de surpresa responde:
- Acabei de ver a mesa,estava mesmo procurando você,para tomarmos juntos...agora,me responde uma coisa?
Ele acena positivamente com a cabeça.
- O que são essas cicatrizes pelo seu corpo?
- São marcas de batalhas,algumas me lembram que valeu a pena cada golpe,algumas me lembram exatamente o que não devo fazer mais,ou por quem não devo mais lutar...
Ela espantada pensa consigo mesma - Mas são tantas,quais dessas será que são minhas? - e em tom de brincadeira ela fala:
- As maiores são minhas,é?
- Não,as suas são as mais profundas,essas são apenas superficiais,as suas carrego aqui... - colocando a mão dela no lado esquerdo de seu próprio peito.
Ela corada de vergonha,afasta o olhar do olhos dele,e abaixa a cabeça,pensativa,longe,ele a abraça e pergunta:
- O que foi? Não deveria ficar assim,se meu coração funciona hoje,é por sua causa.
Ela concorda e sorri,mas ao mesmo tempo se entristece,o silêncio toma conta de tudo e então ela respira fundo,olha para ele e diz:
- É muita responsabilidade para mim,não posso manter ele funcionando,mal dou conta do meu,você consegue entender isso,Quixote?
- Alice,não estou pedindo que mantenha ele funcionando,faço o que faço por que te amo,faço de coração.
- Você diz isso,mas sempre irão existir cobranças,responsabilidades,no momento,não posso com nada disso,no momento,não posso nem comigo.
- É por isso que eu faço o que faço,para te ver melhor,sorrindo novamente,não quero te cobrar,mas entendo seu lado,entendo que existe mesmo escondida uma cobrança.
Ela se levanta,arruma seu vestido azul com lacinhos brancos,ergue a cabeça,sorri e diz:
- Certo senhor Dom Quixote de La Mancha,estamos conversados então,se cobranças,sem brigas,apenas vamos tomar nosso café e depois seguimos até que nossos mundos se cruzem novamente,pode ser amanhã,pode ser daqui um mês,a gente vai se encontrando...
E ele com os olhos quase cinza diz:
- Sim sim,Alice,nos vemos em breve.
Seu jeito de menina,sem jeito de mulher,
caminhando de salto,mulher feita,contraditório,eu sei,
de gatinha a leoa,sabe sempre o quer,
sabe que quer viver,curtir sem pensar,apenas estar...
Inocência e malícia,combinação perigosa,
carga explosiva,se usada sem moderação,
adrenalina pura,direto no coração,
num domingo de chuva,num sábado qualquer,
um pequena viagem,ela sabe mesmo ser mulher.
Rouba olhares por onde passa,passa sem deixar vestígios,
esconde seus rastros,sortudo quem vive o momento ao lado dela,
pois jamais vive dois momentos iguais,não sabe repetir a façanha de ontem,
mas sabe fazer melhor,e espera sempre mais.
E assim,ela segue,mudando o mundo,um dia de cada vez,
sem perceber que o mundo muda,menina tão linda,linda mulher.
- Como pode isso? - disse Alice.
- Isso o que? - respondeu Quixote,ainda sem saber aonde ela queria chegar.
- Ah...caminhos iguais,sonhos diferentes,caminhos diferentes,sonhos iguais,isso que encanta tanto,mas ao mesmo tempo me confunde,e algumas vezes,quando eu acho que estou entendo,não entendo mais nada... - disse Alice com uma expressão triste.
- Sonhos,caminhos,destinos,é tudo o que a vida nos dá,para nos motivar a sair do ponto A,para o ponto B,e no meio do caminho aprendermos alguma coisa valiosa,como por exemplo a amar alguém,dar valor as pessoas a nosso redor,ou mesmo nos fortalecer,mas acredito que em caminhos iguais com sonhos diferentes,por exemplo,temos sonhos diferentes um do outro linda,mas isso só agrega a nossas vidas,eu aprendo com seus sonhos,você com os meus,os caminhos mesmo que diferentes,podem levar ao mesmo destino. - respondeu ele com ar de confiança.
- Você tem certeza Quixote? Algumas vezes,parece bem mais complicado do que quando você está explicando,acho uma delícia ter sua voz me dando certas certezas,pena que sozinha,nem sempre tenho ela para me apoiar. - disse ela se aconchegando junto a ele.
- Pare com isso Alice,minha voz,meu sorriso e meu olhar,mesmo distante são seus,e você sempre poderá se valer deles,até por que você já sabe,ao menor sinal de perigo,eu estarei aqui,fora as visitas de surpresas. - disse ele,passando a mão nos cabelos dela.
- Como assim visitas surpresas? Se você aparece no meu mundo sem avisar,nem sei o que faço...Sinceramente não sei se estou preparada para surpresas ainda,não que as suas sejam ruins,na verdade,elas sempre me tiram o fôlego,mas acho que devemos esperar mais por isso,afinal,ainda estou desconfiada,assim,uma desconfiada confiante. - disse ela espantada,quase se levantando do banco.
- Um desconfiada confiante,um relacionamento sem compromisso,um dia com sol e lua,certas coisas,só nós dois mesmo para conseguir. - respondeu ele rindo.
Ela olho para ele desconfiada por vários minutos,esperando que ele tivesse entendido o que ela disse antes,ele por sua vez,se mostrava confiante,com ar de quem sabia o que estava fazendo,isso de certa forma a acalmava,e com o tempo ela voltava a se aconchegar nos braços dele,e ele por sua vez,saia que estava fazendo a coisa certa,que mesmo trilhando um caminho logísticamente mais longe,aquele caminho era o certo.
- Como a gente conserta essa bagunça? - perguntou ela,com ar de brincadeira.
- Com muito amor,carinho e compreensão,e na pior das hipóteses,tenho fita adesiva e ferramentas no meu porta-mala. - respondeu ele brincando também.
Ela deu risada e disse:
- Sabe,eu sempre gostei disso em você,o bom humor,as brincadeiras,na verdade,é o que eu mais gosto.
- Sério?
- Uhum,você sempre me fez rir quando ninguém mais conseguia,o seu bom humor me encanta.
- Nossa,eu nem me acho tão bem humorado assim...
- Mas comigo,você é sim...
Eles se olham um momento,e então ela diz:
- Posso fazer uma pergunta?
- Claro linda,qualquer coisa.
- Vale mesmo a pena? Eu digo,desistir de tudo o que você conhece e ama,por algo que pode não dar certo,ainda estamos construir estruturas,você entende isso? Você tem certeza que é isso que você quer para sua vida? Você está assumindo um compromisso muito grande,pode ser que você não tenha a verdadeira noção do tamanho...como eu disse,vale a pena?
Ele olha para ela pensativo,e então abre um sorriso enorme e diz:
- Sim,cada passo,cada suspiro,todo suor e sacrifico valem,linda.
- As vezes acho que te cobro demais...
- Para com isso guria,você cobra o quanto acha que eu vou aguentar,e só me cobra por que sabe que eu vou aguentar.
- Quixote,Quixote,você sabe que eu não sou fácil - nesse ponto ele interrompe ela dizendo:
- Você sabe que eu adoro um bom desafio,nunca fujo do fogo do dragão,aliás,esse fogo é o me atrai.
- Ah é?
- Uhum,essa combinação,mulher fatal,complicada e perfeita,e esse jeito meigo,de menininha,essa combinação que me faz apaixonado por você.
- Nossa,nem eu sabia que eu tinha esse jeito de menininha...
- Pois é,mas tem,e é uma graça,toda meiga,apaixonada,boba,bem Alice mesmo,um jeito Alice só seu.
Ela envergonhada se vira para ele e diz:
- Seu bobo!
Ele todo sorridente responde:
- Sim,seu bobo mesmo.
Ela sorri,ele a abraça e ela fala para ele no pé do ouvido:
- Só meu,só meu.
- Voltei,finalmente cheguei onde queria estar - disse ele.
Ela olhou ele de cima a baixo,pensou um momento,não sabia exatamente o que dizer,reparou nos detalhes,reparou que ele estava diferente do que era,além das mudanças exteriores,havia algo novo,algum coisa havia mudado dentro dele,e ela podia perceber isso pelo seus olhos,afinal,como ela sempre dizia,'os olhos são a janela para a alma'.
- Tem certeza Quixote,às vezes,nossas jornadas precisam de mais tempo,as idéias precisam amadurecer melhor,e ver se todo o esforço valerá a pena mesmo... - disse ela.
Ele por sua vez,levou a mão ao queixo dela e disse:
- Certeza só teremos no fim do caminho,eu preciso trilhar todo ele para saber se valeu cada passo,e se não valer pelo destino,valerá pela viagem,mas te digo uma coisa com certeza,aonde quer que seus olhos estejam,eu quero estar também.
Ela corada de vergonha,desvia o olhar do dele e se mostra preocupada.
Ele coloca a mão no ombro dela e pergunta:
- O que foi,linda? Parece que você está com medo...
Ela responde:
- Sim,tenho medo,medo que você esqueça de mim,que conheça alguém,e que esse alguém leve seus olhos de esmeralda embora,medo de me entregar e você fugir...medo de você não estar lá quando eu precisar,medo de te dizer 'eu te amo' e você não responder nada...
Ele interrompe ela com um beijo roubado,totalmente inesperado,ela começara a tremer,e ele a abraçar ela,olha nos olhos dela ele diz:
- Alice,meu coração é só seu,sempre foi,sempre será,e quanto aos meus olhos,eles são seus a tanto tempo que você nem percebe que cada vez que eu te olho,me desmancho,e sempre que vou te procurar,fico tremendo... - Nesse momento ela interrompe ele com um beijo,assim como fez com ela anteriormente,a conversa com palavras para ali mesmo,e dali em diante,apenas os beijos e os olhares falam.
Uma vida com novos sabores,devo admitir que não imaginava certas reviravoltas do destino,não estou reclamando,pelo contrário,hoje vejo isso como uma experiência de crescimento e aprendizado contínuo,que espero não parar tão cedo.
Quanto aos novos sabores,bom,desde de idéias,pessoas,roupas,perfumes,comidas,tudo o que a vida pode me apresentar e reapresentar eu estou disposto a experimentar,confesso um certo preconceito no início,mas a desconfiança e a insegurança passam,e o que sobra é a sensação de conforto,desde um sapato,terno,gravata,até novos lugares,novos esportes,novas práticas.
Eu tenho sede de mais,eu tenho sede por vida,e sinceramente,eu tenho milhões de coisas para conquistar e não posso mais ficar parado,ou empacado com velhas práticas que me levam a mais nada.Agradeço a todos e a tudo o que me trouxe até aqui,nada disso será esquecido ou menosprezado,só peço compreensão,pela nova ordem das coisas,a prioridade mudou sim,mas a importância não.
“Quando eu era uma criança, eu pensava como uma criança, andava como uma criança e agia como criança. Mas agora que já sou adulto devo deixar de lado as coisas de criança. ”
Existiam milhares de pessoas lá,e eles sentados,a multidão composta pelas mais variadas singularidades,e eles ali,só sentados,observando um ao outro,se curtindo,o mundo lá fora girava,e os olhares deles apenas se cruzando naquele momento,como uma conversa sem palavras,onde os dois sabem tudo,cada gesto do olhar,da face e dos corpos dizia algo,ele batendo o pé sempre agitado,ela toda calma,paciente,fitando aqueles olhos verdes e reparando em como ele mordia o lábio inferior.
Ele não desvia um minuto o olhar dela,e cada segundo que passa,parece ficar mais bobo,ela por sua vez fica com vergonha,e lembra que ele fica assim perto dela,até mesmo quando está ao volante,perdida nessas memórias ela sorri,ele se desmancha com esse sorriso,ela cora com o sorriso dele,os dois ali,bobos,e a multidão passando,sem saber desse universo paralelo que existe naquele banco.
Ele parou de frente para ela,não tinha certeza se deveria fazer ou não,mas na dúvida ele fez,a puxou pela cintura e trouxe para si,ela não ofereceu nenhuma resistência,afinal ela também não fazia ideia se aquilo era correto ou não.
Na dúvida resolveram se entregar e curtir o beijo que embora breve,foi muito intenso,havia novamente um pouco da velha magia no ar,e ele pode sentir isso nos olhos delas,se os olhos deles estavam quase um tom verde petróleo,os delas brilhavam de leve,afinal ela não se deixa levar assim tão facilmente,desconfiada e sempre com o pé atrás,gostava mesmo de ter certeza que as promessas em questão poderiam ser cumpridas.
Novas promessas de um velho homem,ou velhas loucuras de um novo homem,essas eram suas indagações,só mesmo o tempo para mostrar para ela,mas algo no olhar dela dizia que ela não tinha pressa,e dessa vez,tempo era ela quem tinha a oferecer,poderia ser pouco ou quase nada para ele,mas era tudo o que ela tinha pra oferecer...
Mas a verdade,é que tempo era algo de valor incalculável para ele,era tudo o que ele precisava para esperar por ela.